Os anos passam e as pessoas perdem um pouco da referência histórica de determinadas datas. Hoje é dia primeiro de maio por que mesmo?

O primeiro de maio é considerado em várias partes do mundo como o dia do trabalhador. Esta data foi instituída para marcar a luta dos operários no início da revolução industrial, por uma jornada de trabalho de oito horas. Uma conquista significativa. Muitas pessoas foram sacrificadas nesta luta, mas enfim, conquistou-se a dignidade de homem livre, que trabalha, que estuda, que tem lazer, que pode conviver com a família… Um grande avanço no caminho civilizatório.

As conquistas humanas nunca param, agora, depois que os direitos trabalhistas foram reconhecidos mundialmente, inclusive com a instituição de um organismo internacional para uniformizar as diretrizes do trabalho, chegou a hora de avançarmos para um modelo econômico novo, baseado na distribuição equitativa de riquezas, no combate a pobreza, na superação das desigualdades e no equilíbrio ambiental.

A Rio+20 discutirá a pauta da economia verde para o desenvolvimento sustentável e a governança ambiental mundial. Quem sabe criando um organismo tão forte e respeitado quanto a OIT (Organização Internacional do Trabalho).

As centrais sindicais brasileiras ainda estão tímidas nas pautas ambientais em busca de um modelo econômico verde. Os dirigentes sindicais não entenderam ainda a importância de pautar, por exemplo, a exigência que as empresas produzam com sustentabilidade, deixando de sacar os recursos naturais na velocidade e com desperdício como hoje vem fazendo. Enquanto os sindicalistas não adotarem as bandeiras do meio ambiente, estaremos longe de conquistas significativas para um mundo sustentável.

O veto ao novo código florestal, por exemplo, é uma bandeira de todos, inclusive da classe trabalhadora sindicalizada. Comecemos por ela, então?

Viva o primeiro de maio!

O presidente da Comissão do Meio Ambiente e de Desenvolvimento Sustentável, Sarney Filho (PV-MA), afirmou hoje (26) que as mudanças no Código Florestal aprovadas ontem pela Câmara representam “um desastre legislativo” e que o texto precisa ser vetado pela presidente Dilma Roussef”. A afirmação do deputado foi feita durante audiência pública realizada pelas comissões de Meio Ambiente da Câmara e do Senado para avaliar os impactos da aplicação do projeto do novo Código (PL 1876/99).

Para Sarney Filho, “O Congresso Nacional não pode aprovar uma proposta que privilegia e lucro de uma minoria ruralista em detrimento dos interesses da sociedade”. O presidente da Comissão de Meio Ambiente do Senado, Rodrigo Rolemberg (PSB-DF), lamentou que os avanços no texto do novo Código Ambiental “construído por meio de acordos no Senado”, tenham sido ignorados na Câmara. O parlamentar espera que haja veto, pelo menos parcial, pela presidente Dilma Rousseff.

A audiência reuniu especialista na área ambiental que fizeram críticas contundentes à aprovação do código. O diretor da ONG SOS Mata Atlântica, Mário Mantovani, disse que o Brasil acordou de luto devido a esta “tragédia anunciada” às vésperas da conferência Rio+20, em que o País “rasga as convenções da biodiversidade, do clima e das áreas úmidas”.

O geógrafo e autor do livro “A Cidade e o Código Florestal”, Márcio Ackerman, defendeu o veto total do novo Código Ambiental (PL 1876/99) aprovado na Câmara. Ele afirmou que a crítica ao texto não é “conversa de ambientalista”, mas sim, baseada em fatos concretos.

O geógrafo ressaltou que morrem pessoas por desrespeito às áreas de preservação permanente (APPs) em margens de rio, por causa dos alagamentos, e em encostas, por conta dos deslizamentos de terra em áreas urbanas. Segundo Ackerman, a não necessidade de recomposição destas áreas, como aprovado no novo código, é uma irresponsabilidade.

O secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, Roberto Brandão Cavalcanti, lembrou que a ministra Izabella Teixeira já havia se manifestado a favor da proposta do novo código florestal aprovada no Senado. Segundo o secretário, as mudanças feitas pela Câmara ainda estão em análise. Ele lembrou que, apesar das críticas, o texto ainda tem preceitos de proteção ambiental, e que “é com eles que o ministério vai trabalhar”.

O professor da Universidade de Brasília Sérgio Sauer afirmou que o argumento de que o meio ambiente é empecilho à produção agropecuária foi um “engodo” amplamente usado na aprovação, pela Câmara, deste novo código. Porém, segundo ele, a falta de proteção ambiental vai gerar exatamente o contrário: insegurança alimentar e rompimento dos pressupostos de uso socioambiental da terra.

Os especialistas participam de audiência pública das comissões de Meio Ambiente da Câmara e do Senado para avaliar os impactos da aplicação do novo Código Ambiental. O parecer do relator Paulo Piau (PMDB-MG) foi aprovado ontem pelo Plenário da Câmara e segue agora para a sanção presidencial.

Fonte : Assessoria de imprensa do deputado Sarney Filho/Agência Câmara

Deputada Estadual Aspásia Camargo é escolhida para representar o PV como pré-candidata para prefeita

Mobilizar os cariocas para despoluir a política do Rio e juntos buscar soluções para os problemas da cidade. Com este objetivo o Partido Verde do Rio organizou na terça-feira, 24/04, reunião ampliada da executiva municipal para debater sua posição nas próximas eleições. O encontro, realizado na sede estadual do partido, definiu a deputada estadual Aspásia Camargo como pré-candidata a prefeito do município. O ambientalista Rogério Rocco que também pleiteava a indicação abriu mão da disputada em favor do comprometimento partidário com uma atuação política claramente vinculada ao campo da oposição.
Na reunião estiveram presentes os membros da executiva do PV Rio, além de representantes de núcleos regionais cariocas e de ação temática, como os grupos de juventude, mulheres e ecologia social. Na reunião a pré-candidata apresentou suas propostas para a cidade, uma avaliação da administração municipal em vigor.

O ex-deputado federal Fernando Gabeira – na eleição de 2008, ele perdeu no segundo turno para Paes por menos de 50 mil votos – disse que a realização da Rio +20, em junho, pesou na decisão do PV de manter uma candidatura própria. Aspásia também reafirmou a importância da repercussão internacional de candidatura verde. “A realização da Rio +20 foi uma provocação para nós lançarmos a candidatura própria”, defendeu a deputada estadual. Aspásia anunciou que vai levar a idéia de sustentabilidade e economia verde para a campanha eleitoral.

A deputada estadual Aspásia Camargo (PV-RJ) é professora da UERJ e pesquisadora da Fundação Getúlio Vargas. Aspásia tem larga experiência executiva no setor público e exerceu cargos importantes. Foi Secretária Geral do Ministério do Meio Ambiente, Presidente do IPEA, Secretária Estadual de Cultura. Em 2002 foi candidata a governadora do Estado do Rio de Janeiro. Em 2004 elegeu-se pela primeira vez vereadora da cidade do Rio de Janeiro. Foi reeleita em 2008 com ampla votação como reconhecimento de seu trabalho. E em 2010 elegeu-se deputada estadual. Tem atuado com muita presença nas reuniões preparativas da RIO+20, e ajudou a formatar o texto final do Global Greens 2012 com as propostas sobre Economia Verde para o encontro.

Fonte : PV.RJ

Este vídeo lança a campanha do Partido Verde “Veta Dilma”, pedindo que a Presidente da República, Dilma Rousseff, cumpra com a promessa de vetar os artigos do Código Florestal, introduzidos pelos ruralistas e aprovados na Câmara dos Deputados.
O relatório do deputado Paulo Piau do PMDB de Minas Gerais, autoriza atividades agrícolas em APPs, autoriza os Estados a participarem da regularização ambiental e deixa claro a anistia para os desmates ocorridos até junho de 2008.

Veta Dilma

Os ruralistas, conforme o site “Noticias Agrícolas” , prometem derrotar o veto do Governo: “Portanto, se houver algum veto, o Senador José Sarney será comunicado no máximo 48 horas depois da votação na Câmara. Será preciso centrar toda a pressão política possível e impossível no presidente do Congresso Nacional. Será preciso pressioná-lo a convocar uma sessão do Congresso para conhecimento dos vetos, tão logo o Executivo comunique que vetará o texto. Se o Sarney, ou quem estiver ocupando o cargo de Presidente do Congresso, não convocar a sessão, os vetos jamais serão apreciados. Talvez aqui seja necessário obstruir novamente as votações nas duas casas do Legislativo.”
A campanha precisa contar com apoio dos filiados em cada Estado, divulgando os nossos argumentos para a sociedade, através das mídias sociais ou através de ações concretas.

 

 

Deputados, senadores e membros do Partido Verde reuniram-se  na rampa do Congresso Nacional, em Brasília,  nesta terça feira (24) para protestar contra o texto do novo Código Florestal Brasileiro. O texto, que tem como relator o deputado Paulo Piau (PMDB-MG), que sofreu diversas modificações desde que veio do Senado, poderia ou não ter tais alterações aprovadas  pelos deputados. Se aprovado, o Código será encaminhado para a presidente Dilma Rousseff vetar ou aprová-lo. O texto deve começar a ser votado nesta quarta feira.

De acordo com o Presidente Nacional do Partido Verde, Deputado José Luiz Penna (SP), a bancada do PV está atenta ao futuro do Código Florestal. “Hoje nós começamos a fazer uma movimentação pelo Brasil para sensibilizar a sociedade para pressionar a presidente a vetar, isso significa que nós não temos esperança aqui dentro, porém o PV está atento e vamos lutar pela campanha “VETA DILMA!”, declarou Penna.

Dentre as mudanças que mais chamam a atenção e revoltam os ambientalistas está a ausência de áreas de reflorestamento nas margens dos rios. De acordo com o Secretário de Meio Ambiente do Distrito Federal, Eduardo Brandão, este é o código da anistia. “O PV perdeu quando o Código foi para Câmara, depois foi para o Senado onde, indiscutivelmente, o texto avançou em alguns pontos, porém o deputado Paulo Piau andou para trás novamente e transformou o Código Florestal em Código da Anistia”, desabafou.

O Deputado Federal e líder da Bancada do PV na Câmara, Sarney Filho (MA), foi ainda mais enfático ao declarar sua visão sobre o novo Código: “a votação de hoje talvez seja uma das votações que pior resultado trarão ao país. É um retrocesso na legislação ambiental”.

Fonte : Blog da FVHD

O Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas repudiou a decisão do relator do novo Código Florestal, deputado Paulo Piau (PMDB-MG), que retirou, do texto aprovado pelo Senado, o Artigo 62, referente às áreas de preservação permanente (APPs) às margens de rios. Para Piau, o assunto deve ser tratado em outro momento, por meio de projeto de lei ou medida provisória.

Falando à Agência Brasil, o secretário do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, Luiz Pinguelli Rosa, também diretor da Coordenação de Programas de Pós-Graduação de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), avaliou que a retirada da proteção às APPs pode interferir na proposta brasileira de enfrentamento às mudanças climáticas.

“Do ponto de vista do fórum, isso pode impedir o Brasil de cumprir o seu compromisso em Copenhague, que é reduzir o desmatamento, que já vem sendo feito”. Pinguelli alertou que a medida sinaliza em sentido contrário para o setor rural. “Não acho isso bom. A forma do Senado era muito melhor”.

Na 15ª Conferência das Partes da Convenção do Clima (COP 15), realizada em dezembro de 2009, em Copenhague (Dinamarca), o Brasil assumiu uma posição de vanguarda entre os países em desenvolvimento. A meta voluntária brasileira estabelece a redução da emissão de gases de efeito estufa entre 36,1% e 38,9% até 2020, em relação ao que emitia em 1990. Isso prevê, por exemplo, a redução de 80% do desmatamento na Amazônia e 40% no Cerrado até 2020.

Pinguelli disse que a Câmara está tendo um papel “retrógrado, de retrocesso, o que é deplorável”. Ele espera que o governo brasileiro vete o parecer dado pelo relator, caso o texto do novo Código Florestal seja votado dessa forma, “de maneira a fazer recuar esse relatório”. A expectativa do ambientalista é que a matéria seja revertida, uma vez que o governo possui maioria no Congresso Nacional.

O secretário considerou ainda que a iniciativa do relator tem um impacto ruim e uma mensagem negativa às vésperas da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), prevista para junho próximo, no Rio de Janeiro. “Você imagina a situação do governo e da presidenta Dilma Rousseff, em particular, na representação junto aos países que virão à Rio+20, com uma notícia de que houve um recuo na legislação sobre o desmatamento”.

Pinguelli lembrou que não se trata somente do problema do desmatamento e da mudança climática, mas também com a questão das águas. “Tem a ver, com a poluição das águas, que são necessárias para o consumo humano e a própria produção agrícola. Eles estão dando um tiro no pé deles mesmos”.

Além disso, salientou que a medida estabelece a anistia dos que não cumpriram a legislação até 2008. “É outro sinal muito negativo, para que se continue a não cumprir a legislação, já que ela é impune”. Para Pinguelli, os que não cumprem a lei acabam ficando em posição vantajosa em relação aos que o fazem.

Fonte: Agência Brasil – EBC

O Partido Verde (PV) organizou para hoje (24) um ato contra as alaterações ao Código Florestal. O evento de protesto pedindo “veta Dilma” será em frente a Câmara dos Deputados a partir das 16horas.

O PV ainda transmitirá através da sua TV web no endereço: www.tvdopv.com.br  a votação do Código Florestal nesta terça e quarta feira (24 e 25), a partir das 16 horas,  direto do Plenário e do Salão Verde na Câmara  Federal.

Entrevistas com os deputados da bancada verde e aliados serão feitas ao vivo com a finalidade de informar os internautas, filiados, e interessados na matéria o que estará ocorrendo durante o momento da votação, suas consequências e a posição dos verdes em relação ao  projeto do Novo Código Florestal.

É em clima polêmico e de observação mundial que a matéria volta nesta semana com as modificações do Senado, ao Plenário da Câmara. Na última quinta feira (19) o relator, Paulo Piau (PMDB-MG), ao apresentar seu relatório excluiu do texto a obrigação do produtor rural recompor uma faixa de 15m a 100m de mata em beiras de rios ocupadas por produção agrícola, e ainda que cada estado estabeleça o tamanho da área de mata que será recomposta. Em seu relatório foi mantida a possibilidade de anistia de multas até 22 de julho de 2008 (quando promulgada a lei de crimes ambientais) e sanções para quem desmatar.

Essas são apenas algumas das questões que geram as discordâncias para um acordo e dão o tom da dimensão do problema que o futuro reservará caso o novo Código Florestal seja aprovado pela casa legislativa.

Ontem, o líder do PT na Câmara, deputado Jilmar Tatto (SP) declarou que acredita que o governo sairá vitorioso da votação, mas ainda assim se for derrotado a decisão final sobre o tema ficará para a presidente Dilma Rousseff, que tem a prerrogativa de vetar ou não.

O deputado Sarney Filho (PV-MA) pediu nesta segunda-feira (23) a nulidade do relatório do Código Florestal apresentado pelo deputado Paulo Piau (PMDB-MG), assim como o afastamento do parlamentar da relatoria.

Sarney Filho argumenta que, pelo regimento interno da Câmara, um deputado não pode ser relator de um projeto do qual foi um de seus autores.

O quê?  Transmissão na TV do PV da votação do Código Florestal

Quando? 24 e 25 de abril

Onde?  No endereço: www.tvdopv.com.br


*Por André Lima

O relator Deputado Paulo Piau do PMDB de Minas Gerais (principal partido da base do governo Dilma) escreve com destaque em seu parecer  que se orgulha do trabalho na Câmara dos Deputados. Essa sincera opinião de deputado se reflete concretamente nas alterações por ele propostas no texto do Senado.

Como é demonstrado a seguir, o relatório do Deputado Piau nos leva a concluir duas coisas (não excludentes). Ou a bancada ruralista perdeu totalmente a noção dos limites e está se sentindo muito a vontade, jogando no seu próprio campo, e pretende impor uma derrota antológica ao governo (do PT) com vitória do governo do PMDB; ou, o que é mais provável, se trata de um jogo de cena perfeitamente combinado (como disse Marina Silva, um perfeito telequete ) entre a bancada ruralista e o Palácio do Planalto. Tal jogo de cena se materializará em uma disputa (dis)simulada no Plenário na Câmara entre apoiadores do (suposto) acordo do Senado versus a bancada ruralista da Câmara. Na peleja encenada, o Governo derruba 80% dos absurdos propostos pelo deputado Piau, combinado com os russos, a presidenta Dilma depois veta um ou outro absurdo que eventualmente passar no Plenário. Com isso, na Rio+20, Dilma posa como a musa do Desenvolvimento Sustentável ao sancionar o texto do Senado piorado que não agradaria obviamente a ambientalistas nem (dissimuladamente) a ruralistas.

Vejamos no mérito.

1. O relator rejeita o artigo primeiro do texto aprovado pelo Senado que apesar de ser apenas principiológico (não estabelece obrigações), define uma série de princípios que caracterizam o código florestal como uma lei ambiental. Ao rejeitar esse dispositivo, o relator reforça a tese de que o Congresso está transformando o código florestal em uma lei de consolidação de atividades agropecuárias ilegais, ou uma lei de anistia.

2. O relator resgata o conceito original, incerto e genérico (da versão da Câmara) de pousio (art.3º XI). Na prática essa alteração significa a consolidação de desmatamentos ilegais posteriores a 2008 que serão caracterizados como áreas em pousio e vai permitir ainda novos desmatamentos legais em propriedades com áreas abandonadas, o que hoje é vedado pela Lei vigente.

3. O novo relatório propõe, ainda, – o que é coerente com a alteração referida no item 2-, a exclusão do conceito de áreas abandonadas ou sub-utilizadas previsto no artigo 3º, inciso XX, do texto do Senado. Isso pode comprometer o próprio Programa ABC (Agricultura de Baixo Carbono), cujo objetivo é criar incentivos à redução de emissões do setor agropecuário mediante o resgate dessas áreas para a produção. Cai um instrumento legal de pressão por recuperação e otimização produtiva de áreas hoje sub-utilizadas ou abandonadas na medida em que poderão ser abertas novas áreas de vegetação nativa nessas propriedades.

4. O relatório dispensa a proteção de 50 metros no entorno de veredas o que significa não somente a consolidação de ocupações feitas nessas áreas como inclusive novos desmatamentos, pois deixa de existir uma faixa de proteção das veredas, sendo somente as veredas consideradas área de preservação. É como se o relator definisse somente a nascente como área de preservação e dispensasse a faixa no entorno dessa nascente como de preservação permanente. Para o bioma Cerrado, o mais ameaçado hoje pela expansão indiscriminada da agricultura, essa exclusão dos 50 metros de faixa de proteção significa a condenação das veredas.

5 . O relator suprime APP de reservatório natural com menos de 1 ha (art. 4º,  §4º). Retoma a redação da Câmara o que significa acabar com APP nesses reservatórios (altamente vulneráveis) sob o argumento de que muitos deixam de existir em função das longas estiagens.

6. O Dep. Piau aumenta as possibilidades legais de novos desmatamentos em APP ao excluir (§6º do artigo 4º) a restrição para novos desmatamentos nos casos de aquicultura em imóveis com até 15 Módulos fiscais (na Amazônia, propriedades com até 1500ha).

7. O relatório amplia de forma indiscriminada a possibilidade de ocupação nos manguezais ao manter a separação dos Apicuns e Salgados e delegar o poder de ampliar as áreas de uso aos Zoneamentos, sem qualquer restrição e manter somente os §§ 5º e 6º do art. 12.

8. No art. 16, o relatório retoma o § 3º do texto da Câmara para deixar claro que no cômputo das Áreas de Preservação Permanente no cálculo do percentual de Reserva Legal todas as modalidades de cumprimento são válidas: além da regeneração e da recomposição, também a compensação que poderá ser feita em outros estados.

9. O relatório exclui critérios técnicos para manejo florestal facilitando a “supressão de árvores” em propriedades rurais. Isso significa estímulo à degradação florestal em RL (com a alteração do artigo 23).

10. Ao suprimir o parágrafo 10 do artigo 42 o relator propõe que incentivos inclusive econômicos inclusive com recursos públicos possam ser investidos para proprietário que desmatou ilegalmente depois de julho de 2008. Instituição da corrupção ambiental. O crime passa a compensar de fato com estimulo de governo.

11. Ao suprimir o artigo 43 do Senado o relatório elimina um dos poucos dispositivos que vincula recursos à recomposição de APPs.

12. O Deputado Piau ressuscita a emenda 164 (de sua autoria na Câmara) que delega aos Estados a definição do que será consolidado em APP (supressão dos §§ 4º, 5º e 7º do art. 62) remetendo aos PRAs a regularização das propriedades e posses rurais. É o dispositivo da institucionalização da anistia. Sequer os 15 metros mínimos do Senado foram acatados pelo Dep. Piau.

13. O relatório do Piau exclui também os §§ 13 e 14 do artigo 62 que tratam da possibilidade de exigências superiores às constantes na Lei, nas bacias hidrográficas consideradas críticas e das propriedades localizadas em área alcançada pela criação de unidade de conservação de proteção integral.  A supressão do §13 condena mais de 70% das bacias hidrográficas da Mata Atlântica que já tem mais de 85% de sua vegetação nativa desmatada.

14. No art. 64, o relator Piau consolida pecuária improdutiva em encostas, bordas de chapadas, topos de morros e áreas em altitude acima de 1800 metros.

15. Suprime o art. 78, que veda o acesso ao crédito rural aos proprietários de imóveis rurais não inscritos no CAR após 5 anos da publicação da Lei. Com isso elimina um dos dispositivos de pressão para o cadastramento ambiental rural dos móveis e para que os estados de fato regulamentem e implementem os cadastros em no máximo 5 anos. Retira a eficácia do CAR.

O relatório do Deputado Paulo Piau, membro da base de apoio do Governo Dilma, consegue a façanha de unir o que tem de pior das duas versões já aprovadas pela Câmara e pelo Senado inclusive suprimindo os poucos e insuficientes avanços ambientais introduzidos a fórceps no texto do Senado.

Como foi dito no preâmbulo desse parecer o relatório lavrado pelo Deputado Piau (um parlamentar da base de apoio do Governo Dilma) revela com clareza a estratégia do governo de criar ambiente fictício de uma suposta vitória do Planalto ao derrubar parte dos dispositivos completamente desarrazoados.

Cabe-nos denunciar esse evidente jogo de cena, trabalhar pela rejeição in totum do relatório do deputado Piau e aproveitar esse absurdo relatório para decolar a campanha #VetaDilma, preparando uma grande manifestação da sociedade civil organizada Brasileira na Rio+20 para denunciar ao país e ao planeta que o Brasil perdeu a moral para liderar as negociações em torno da agenda socioambiental global.

*Advogado (OAB-DF 17878), mestre em gestão e política Ambiental pela UnB, Consultor Jurídico da Fundação SOS Mata Atlântica e membro da Comissão de Direito Ambiental da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional do DF

Deputados começam hoje a analisar parecer do deputado Paulo Piau. Relator fez 21 mudanças no texto aprovado no Senado. Pauta das sessões ordinárias da Câmara está trancada por oito MPs.

Os deputados começam hoje a dicussão do texto do Senado para o Código Florestal (PL 1876/99). Como há divergências sobre as mudanças feitas pelo relator, deputado Paulo Piau (PMDB-MG), a expectativa é que a votação só seja concluída amanhã. A matéria será analisada em sessão extraordinária.

O relator não liberou o seu parecer, mas adiantou que vai propor a retirada das regras de recuperação das áreas de preservação permanente (APPs) em torno dos rios. Os textos aprovados tanto na Câmara quanto no Senado estipulam que, para cursos d’água com até 10 metros de largura, os produtores rurais devem recompor 15 metros de vegetação nativa.

A retirada de outros dois dispositivos do texto do Senado atende aos ruralistas. O primeiro dividia os produtores rurais em categorias para receber incentivos; o segundo impedia o recebimento de crédito agrícola por produtores que não promovessem a regularização ambiental em cinco anos.

Ao todo, são 21 mudanças propostas por Piau e algumas delas deverão ser decididas por meio de destaques  para votação em separado, a favor ou contra o parecer do relator, seja para manter o texto da Câmara ou o do Senado. Nesta fase do processo legislativo, o Regimento Interno não permite a criação de novos textos, apenas a montagem da redação final com partes do substitutivo do Senado e da Câmara; ou a aprovação integral de uma das versões.

Fonte : Agência Câmara

 

A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável realizará nesta quinta-feira (26) audiência pública para discutir os impactos da aplicação do novo Código Florestal (PL 1876/99), cuja votação está prevista para os dias 24 e 25. O debate foi proposto pelos deputados Márcio Macêdo (PT-SE) e Pedro Uczai (PT-SC).

Apresentado nesta quinta-feira (19), o substitutivo do deputado Paulo Piau (PMDB-MG) elimina a definição das faixas de áreas de preservação permanente (APPs) com atividades produtivas a serem recuperadas para todos os tamanhos de rios. Tanto o texto aprovado na Câmara quanto no Senado estipulam que, para cursos d’água com até 10 metros de largura, os produtores rurais devem recompor 15 metros de vegetação nativa.

Piau fez 21 alterações no texto vindo do Senado, sete delas de mérito. Como já havia anunciado anteriormente, o relator também suprimiu do projeto a definição de APPs nas cidades, incluídas pelo Senado. Pelo texto da Casa revisora, as áreas de expansão urbana deveriam prever 20 metros quadrados de vegetação por habitante. “Isso iria encarecer os terrenos, principalmente para os programas sociais”, justificou Piau. Regras de proteção para plantas em extinção também ficaram de fora.

Foram convidados para a audiência:
- a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira;
- o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Antônio Herman Benjamin;
- o geógrafo Márcio Ackerman, autor do livro “A cidade e o Código Florestal”;
- o secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência e Tecnologia, Carlos Afonso Nobre;
- o professor da Universidade de Brasília Sérgio Sauer.

A reunião será realizada às 10 horas, no Plenário 8.

Fonte : Frente Parlamentar Ambientalista

Page 3 of 51«12345»102030...Last »

Partido Verde - 2011
Desenvolvido pela Secretaria Nacional de Comunicação
Alguns direitos reservados