Em entrevista à rádio Nova FM, nesta segunda-feira (21.11), o vereador Marcelo Bluma (PV) falou sobre o Movimento Campo Grande Sustentável, uma iniciativa do Partido Verde para discutir ações sustentáveis no município, voltadas para as questões ambientais, econômicas e sociais. Bluma, que preside o Partido em Campo Grande, destacou que a sustentabilidade é um conceito moderno “que vem da preocupação de como será o futuro do planeta, o caminho que traçamos e aonde chegaremos”.

Para o parlamentar, a construção de casas, junto com o cimento e o asfalto, por exemplo, têm deixado de lado a manutenção das áreas verdes no município. “Precisamos deixar espaços naturais na nossa cidade, que criam defesas para todos nós”, enfatizou.

Além da preocupação ambiental, Bluma destacou que o Movimento Campo Grande Sustentável também se preocupa com a sustentabilidade econômica no município. “Temos que construir uma economia que alcance empregos sustentáveis, com possibilidade de planos de cargos e carreiras. Precisamos pensar políticas que levem a sociedade a diminuir as desigualdades econômicas”, frisou.

O vereador ainda falou sobre os hábitos de consumo da sociedade gerado pelo sistema capitalista. “Vivemos hoje em uma sociedade onde o ter é melhor que o ser. Uma sociedade assim não é sustentável. Na verdade, nós precisamos ser, ou seja, cultivar nossas amizades, nossa família e conservar as emoções. Temos que adquirir hábitos saudáveis de consumo”, alertou.

Fonte: PV-MS

A quantidade de gases do efeito estufa alcançou um novo recorde em 2010 e aumentou mais rapidamente no ano passado do que na média das últimas décadas, segundo o boletim anual sobre gases do efeito estufa, publicado nesta segunda-feira (21) pela Organização Meteorológica Mundial, agência da Organização das Nações Unidas (ONU).

A concentração dos gases causadores do efeito estufa que permanecem por mais tempo na atmosfera – o dióxido de carbono, o metano e o óxido nitroso – se expandiu 39 vezes desde a época pré-industrial.

Houve uma alta de 39% de dióxido de carbono, 158% de metano e 20% de óxido nitroso, de acordo com o relatório da agência, divulgado em Genebra, na Suíça.

Aquecimento global
Na última sexta-feira, documento divulgado pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) alertou que as mudanças climáticas provocadas pelo homem já causam ondas de calor e chuvas torrenciais que causam inundações, e provavelmente contribuirão para futuros desastres naturais.

Fonte : Reuters

Algumas autoridades, ex-pescadores e ambientalistas asseguram a reprodução das tartarugas amazônicas no Baixo Xingu. Mas agora enfrentam o problema da hidrelétrica de Belo Monte, que represará o rio 40 quilômetros acima.

Mario Osava

Luiz Cardoso da Costa se horrorizou ao ver o peixe-boi amazônico, grande e dócil, sangrando por causa da facada, mas engolindo capim avidamente, com se comer evitasse a morte. Não era esperada uma agonia tão dramática. E, por causa dela, renunciou definitivamente à caça desta espécie (Trichechus inunguis).

Luiz escolhera a faca buscando o coração, pois lhe parecia muito cruel o método usual, de enfiar varetas nas narinas para asfixiar este mamífero aquático que chega a pesar meia tonelada de carne, gordura e couro, muito valorizados no mercado ilegal. Contudo, ele deixou de ser “o grande predador” que admite ter sido quando assistiu o embarque de “aproximadamente 800 tartarugas” com destino a Manaus, metrópole da Amazônia e capital do Estado do Amazonas.

Naquela ocasião, há 13 anos, vendeu “apenas umas 20”, mas aquela quantidade concentrada de quelônios mortos o abalou. Sua conversão foi radical. Hoje ele é a alma da proteção ambiental do Tabuleiro do Embaubal, um conjunto de mais de cem ilhas no trecho final do Rio Xingu, na Amazônia oriental, cujas praias são a principal área remanescente para a reprodução das tartarugas amazônicas.

Milhares de fêmeas se juntam aqui em setembro e outubro, especialmente na praia de Juncal, para cavar na areia, jogando-a para o ar, pôr seus ovos, tapar o ninho e voltar para o rio. O espetáculo da desova, com areias que saltam e multidões de grandes quelônios, algum dia atrairá muitos turistas, espera Saloma Mendes de Oliveira, secretária de Meio Ambiente do município Senador José Porfírio, em cujo território fica o Tabuleiro. Será uma fonte de recursos e de adesão popular à defesa da natureza local, afirma.

Atualmente, a aglomeração de tartarugas as torna vulneráveis aos caçadores, que insistem em aproveitar os bons preços da sua carne e dos seus ovos, embora retirá-los da natureza seja um crime ambiental punido com pesadas multas e, em alguns casos, até com prisão. Por isso, no “verão”, como os amazônicos chamam o período de estiagem entre junho e novembro, procura-se intensificar o controle das praias. Desde setembro, Luiz conta com 20 colegas para vigiá-las.

São pessoas contratadas pela empresa ambiental Biota, resultado de um acordo entre a prefeitura de José Porfírio e o Consórcio Norte Energia, empresa que ganhou a concessão da hidrelétrica de Belo Monte e tem a responsabilidade de vigiar e mitigar os impactos que causarem as duas represas que vai construir. São controvertidos os efeitos que terá o maior projeto energético da Amazônia, cuja potência total de 11.233 megawatts se limitará a 40% de geração efetiva, em média, devido à forte variação do caudal do Rio Xingu.

A Norte Energia “não nos explicou nada”, disse Luiz. Seu medo é que baixe o nível das águas, fazendo com que as ilhas do Embaubal tenham “invernos mais secos”, o que deixaria “sem água os igapós” (áreas de floresta inundáveis durante a cheia), onde os quelônios se alimentam de frutas. Como consequência, haverá animais “mais fracos e menos ovos”.

Esta hipótese é pouco provável, afirmou Juarez Pezzuti da Silva, biólogo da Universidade Federal do Pará, que coordena estudos sobre répteis no Xingu. O caudal do Baixo Xingu, trecho de 220 quilômetros entre Belo Monte, onde termina o forte declive do rio, e a desembocadura é determinado pelo Rio Amazonas, que recebe suas águas e as de toda sua bacia de mais de mil rios, acrescentou.

O Amazonas, imensamente mais caudaloso do que seu afluente, funciona como uma barreira ao deságue. Por isso, as águas do Xingu somente baixarão mais que o normal se o mesmo ocorrer no Rio Amazonas. Além disso, os dois cursos sofrem a influência das marés do Oceano Atlântico, apesar da distância em que se encontram, superior a 400 quilômetros.

Exatamente isto é o que preocupa Saloma Oliveira, que as águas menos velozes do Baixo Xingu “se tornem mais ácidas” pelo acúmulo maior de matéria orgânica apodrecida, “afetando espécies mais sensíveis e reduzindo a biodiversidade local”. A Norte Energia nega tal impacto, mas parte de bases pouco sérias, segundo a secretária. A empresa reconhece somente uma “influência indireta” de Belo Monte em áreas que não serão inundadas, mas sofrerão graves danos, como a Volta Grande, trecho fluvial rochoso de cem quilômetros que terá parte de seu fluxo desviada para alimentar à represa de Belo Monte, explica a companhia.

A represa reterá sedimentos que são importantes para manter as praias do Embaubal, cuja altura é indispensável para o sucesso reprodutivo das tartarugas e de outros quelônios, alertou Juarez. As maiores perdas de ovos se devem a cheias do rio antes dos nascimentos, em razão de chuvas fortes e antecipadas na bacia, os “repiquetes”. Porém, esses são inimigos incertos e incontroláveis para guardiões como Luiz, cuja responsabilidade é evitar a depredação humana e natural da fauna do Tabuleiro do Embaubal.

O camponês Manoel Nader viu pela primeira vez a desova das tartarugas no Tabuleiro ao integrar-se ao grupo de guardiões. “Foi uma grande emoção, nunca tive essa oportunidade”, apesar de ter vivido quase todos os meus 48 anos no município, contou. Nader confessa, como vários colegas, ter “pescado” algumas para consumo próprio, apesar da proibição. “É o costume de todos”, justifica, mas agora assume a missão de protegê-las. Além disso, “prefiro carne de vaca”, acrescenta.

O grande problema não são os pescadores locais, conhecidos e desarmados, que consomem poucos animais e são suscetíveis ao diálogo, afirma Luiz. A ameaça são os comerciantes “de fora”, que abastecem grandes cidades, como Manaus e Belém (PA). Para reprimi-los falta força policial, ressalta. Os guardiões do Embaubal são civis, empregados da Biota ou da prefeitura, como ele, sem status de policiais. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), que tem essa autoridade, transferiu suas funções no arquipélago para uma fundação privada que abandonou a tarefa há dois anos e meio.

Luiz foi, então, um defensor solitário do Embaubal, muitas vezes sem combustível nem barcos para percorrer as ilhas, e outras vezes testemunha impotente da captura de grande quantidade de tartarugas. Dez de seus 47 anos dedicou à missão. Vive na “base”, uma grande casa de madeira com um posto de observação que permite vigiar à luz do dia a praia de Juncal, que fica a 600 metros. Visita pouco sua família, mulher e seis filhos que vivem na cidade. Ganha pouco e já recebeu várias ameaças de morte, mas sente-se gratificado

Fonte: Tierramérica – IPS

A necessidade de levar ao conhecimento da população informações referentes à Conferência Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, a RIO+20, e de promover a participação popular, foi destacada pelo coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista e presidente da Subcomissão da Rio+20 da Comissão do Meio Ambiente da Câmara, deputado Sarney Filho (PV-MA), na abertura do debate “Meio Ambiente Urbano” na Assembleia Legislativa do
Estado de São Paulo, nesta segunda-feira, 21.

O evento foi o terceiro de uma série que a Frente Ambientalista está promovendo pelo país no sentido de sistematizar e propor alternativas para solucionar os principais problemas relacionados ao meio ambiente. Além de parlamentares,governantes e entidades de defesa do meio ambiente, a sociedade civil também participou do seminário na capital paulista.

“Foi a partir da necessidade de interação maior entre a sociedade brasileira e governo – encarregado de levar as discussões da RIO+20 –, que surgiu a necessidade desses debates pelo país”, assinalou o deputado. Além de parlamentares, governantes e entidades de defesa do meio ambiente, a sociedade civil também participou do seminário na capital paulista.

Sarney Filho também disse que a Frente Ambientalista, sempre atenta às questões ambientais, tem exigido do governo uma postura firme que evite retrocessos e tragédias. “Estivemos recentemente com a ministra do Meio Ambiente cobrando atitudes mais firmes do governo sobre a votação do Código Florestal e com o presidente da ANP para saber sobre o vazamento de petróleo na Bacia de Campos (RJ). A imprensa acordou para o fato e a sociedade brasileira está podendo ver que o vazamento de petróleo foi mais grave que o anunciado. Que este fato sirva de exemplo para os riscos na exploração do pré-sal”, alertou o líder verde.

A preocupação do impacto das mudanças climáticas e o adensamento populacional
marcaram os debates do evento em São Paulo.

O Secretário de Meio Ambiente da capital paulista, Eduardo Jorge (PV), afirmou que a crise climática no mundo fez a sociedade despertar para a grande crise ambiental existente. “É o momento para mudar o modelo de desenvolvimento” asseverou. Ele ainda chamou atenção para a flexibilização das APPs (Áreas de Preservação Permanente) propostas na reforma do Código Florestal. “Estão discutindo muito a flexibilização das APPs no meio rural, mas o projeto também ameaça as APPs urbanas, onde reside boa parte da população brasileira, principalmente as populações mais pobres”, alertou.

O urbanista Cândido Malta, defendeu a adoção de políticas públicas ambientais sustentáveis como forma de permitir um modelo de vida sustentável. “A cidade de São Paulo é um exemplo disso, se continuar como está se tornará uma cidade insustentável. A questão climática é tão grave que exige ser pensada para os próximos 30, 50 anos”, previu Malta.

O ex-deputado federal Fábio Feldmann ressaltou a importância do protagonismo brasileiro na RIO+20, que para ele deve ser tratada de forma suprapartidária.
“Um dos desafios internos da Dilma é não impedir os retrocessos ambientais. Temos que convencê-la a apoiar a mobilização e liderar o processo na Rio+20”,afirmou.

O deputado Márcio Macêdo (PT-SE) disse que a RIO+20 é também o momento de promover a inclusão das populações. “Nosso país tem dado passos largos e crescido em um bom ritmo, mas a defesa da vida e da sustentabilidade não está crescendo na velocidade que gostaríamos. É o desafio que temos pela frente”, analisou.

Os próximos temas serão: Energia – dia 16 de dezembro, em Recife (Nordeste); e segurança Alimentar – dia 26 de janeiro, em Porto Alegre (Sul). Também está na pauta os encontros Em Busca de uma Economia Sustentável em março de 2012, em Brasília; e o Encontro do Segmento Parlamentar da RIO + 20, com a presença de parlamentares de todo o mundo, no Rio de Janeiro (RJ). Os temas já debatidos foram Biomas, dia 23 de setembro em
Manaus (Norte) e Recursos Hídricos em Cuiabá (Centro Oeste).

A agenda Frente Parlamentar Ambientalista para a RIO + 20: Em busca de uma Economia Sustentável, é organizada pela Frente Parlamentar Ambientalista, em conjunto com a Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, a Subcomissão Especial RIO+20, da Câmara dos Deputados, a Fundação SOS Mata Atlântica e a Fundação Verde Herbert Daniel.

Fonte : Observatório Parlamentar Socioambiental

“Está em curso um processo de desmanche das regras de biossegurança no país”, declara Gabriel Fernandes ao comentar a resolução normativa que autoriza empresas produtoras de transgênicos a pedirem isenção do monitoramento dos produtos após a liberação comercial, aprovada nesta semana pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança – CTNBio. Com a mudança, as empresas estão liberadas de monitorar os efeitos dos transgênicos sobre a saúde humana e o meio ambiente.

“O não monitoramento pós-comercialização dos transgênicos impede que seus potenciais riscos sejam identificados. Com isso as empresas seguirão dizendo que ainda não foram comprovados danos causados pelo uso de transgênicos”, adverte o pesquisador.

De acordo com o agrônomo, antes de as regras sobre o monitoramento dos transgênicos serem alteradas, as empresas apresentaram suas posições em reunião da CTNBio.

“Na prática, a reunião serviu para as empresas apresentarem suas propostas sobre o monitoramento. Quando questionado por um dos integrantes, o presidente da CTNBio disse que os demais interessados poderiam enviar suas sugestões por escrito, mas o texto base para comentário não foi disponibilizado, nem foi aberto prazo para consulta pública”.

Na entrevista a seguir, concedida por e-mail à IHU On-Line, Fernandes informa que “84% da área total cultivada com sementes transgênicas” está somente em quatro países: Brasil, Estados Unidos, Argentina e Índia. Afirma haver uma falsa ideia de que a transgenia cresce no mundo todo e que essa “é uma imagem que a indústria tenta empurrar. A forte concentração no mercado de sementes explica boa parte dessa expansão, inclusive no Brasil”.

A produção de transgênicos apenas será reduzida “quando os consumidores de forma geral passarem a ter mais interesse em saber de onde vem sua comida e virem no consumo uma opção política também”, ressalta.

Gabriel Fernandes é agrônomo formado pela Universidade de São Paulo – USP, e membro da AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Como você recebeu a notícia de que a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança – CTNBio aprovou a resolução normativa que autoriza empresas produtoras de organismos geneticamente modificados a pedirem isenção do monitoramento pós-liberação comercial? O que muda em relação ao controle dos transgênicos a partir da liberação desse procedimento? Quais os riscos?
Gabriel Fernandes – Está em curso um processo de desmanche das regras de biossegurança no país. Aqueles poucos itens da lei que as empresas não conseguiram levar em 2005, quando da disputa no Congresso, estão sendo conquistados agora por meio da CTNBio, que é órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia.

A mudança está no fato de que as empresas daqui em diante poderão se isentar de monitorar os efeitos de médio e longo prazo dos transgênicos sobre a saúde e o meio ambiente. As que porventura o estivessem fazendo poderão pedir sua extinção. O perigo está exatamente no fato de que os riscos desses produtos não serão investigados.

Como aconteceu o processo de votação na CTNBio?
Fernandes – Antes de mudar as regras de monitoramento, o presidente da CTNBio convidou as empresas para uma reunião em Brasília-DF na qual se discutiriam regras para o tratamento de informações confidenciais. Na prática, a reunião serviu para as empresas apresentarem suas propostas sobre o monitoramento. Quando questionado por um dos integrantes, o presidente disse que os demais interessados poderiam enviar suas sugestões por escrito, mas o texto base para comentário não foi disponibilizado, nem foi aberto prazo para consulta pública.

No início da reunião em que o fim do monitoramento foi votado, entidades protocolaram pedido para adiamento da votação até que todos interessados tivessem garantido o mesmo direito de participar. O pedido não foi lido.

Posteriormente à comercialização de agrotóxicos, os produtos são submetidos a novos testes e alguns são retirados do mercado em função dos novos resultados. Ocorre o mesmo com os transgênicos? Podes citar exemplos de transgênicos que já foram banidos do mercado?
Fernandes – Antes de chegar ao mercado um agrotóxico passa por três órgãos, e mesmo assim, quando a reavaliação é feita anos depois, alguns produtos são banidos e outros têm seu uso restringido em função dos danos que causam. Algo semelhante acontece com os remédios.

No caso dos transgênicos, até antes da aprovação da nova lei de biossegurança em 2005 o procedimento para licenciamento seguia os moldes dos agrotóxicos. A CTNBio já existia, mas era instância apenas consultiva. Essa nova lei foi criada exatamente para dar amplos e terminativos poderes para esta comissão, criando um caso de exceção na administração pública, onde suas decisões criam obrigações para seus órgãos hierarquicamente superiores.

Desconheço algum transgênico que tenha sido banido do mercado após ter sido cultivado por algum tempo. Há casos na Europa de banimentos nacionais em face de liberações no âmbito da Comissão Europeia. Mas, assim como o banimento de agrotóxicos seria inviabilizado caso dessem cabo da reavaliação toxicológica, o não monitoramento pós-comercialização dos transgênicos impede que seus potenciais riscos sejam identificados. Com isso as empresas seguirão dizendo que ainda não foram comprovados danos causados pelo uso de transgênicos.

Como vê a postura da CTNBio diante desse assunto, considerando que a Comissão autorizou a comercialização do milho e, recentemente, do feijão transgênico no Brasil?
Fernandes – A meu ver, essa comissão foi criada exatamente para funcionar como um cartório, só carimbando os pedidos de liberação. Colocaram nela um nome pomposo para tentar transmitir uma ideia de cientificidade que permitiria legitimar o processo. A questão é que esse ritmo acelerado de liberações só ocorre porque o restante do governo está de costas para o assunto, não quer entrar no debate. O mesmo pode-se dizer da maior parte das entidades científicas.

Falta institucionalidade na CTNBio. A maioria de seus integrantes está lá falando por si mesmo; parecem se esquecer que cada um lá dentro deveria representar a posição de um ministério, de um setor da academia ou da sociedade. Se o governo estivesse atento, querendo saber o que fazem seus representantes, ou então se as entidades científicas estivessem acompanhando o debate ou mesmo pedindo algum tipo de “prestação de contas” a seus representantes, a questão poderia ser tratada com um pouco mais de rigor.

O descaso é tamanho que a derrubada do monitoramento vai contra orientação de 2008, expedida por 11 ministros e assinada à época pela ministra Dilma, que chefiava a Casa Civil, para que o Ministério de Ciências e Tecnologia criasse grupo de trabalho (que nunca foi criado) envolvendo outros ministérios e que teria como objetivo realizar estudos de monitoramento de médio e longo prazo para avaliar os potenciais danos dos transgênicos.

A transgenia tem crescido no mundo? É possível travar a produção dos organismos geneticamente modificados?
Fernandes – É preciso destacar que Estados Unidos, Brasil, Argentina e Índia respondem por 84% da área total cultivada com sementes transgênicas. Assim, a ideia de que a transgenia cresce no mundo todo é uma imagem que a indústria tenta empurrar. A forte concentração no mercado de sementes explica boa parte dessa expansão, inclusive no Brasil. Grandes multinacionais como Monsanto, Syngenta e Pioneer vêm há anos comprando empresas menores de sementes e formando um poderoso oligopólio. Como seu interesse é vender sementes transgênicas, elas tiram do mercado as variedades convencionais e o agricultor fica sem opção.

Os grandes produtores de soja do Mato Grosso já ameaçaram recorrer ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica – CADE para tentar barrar essa imposição. Também contribuem para a expansão a grande presença de representantes comerciais das empresas no campo e de convênios de governos estaduais para disseminação das sementes modificadas, como no Rio Grande do Sul e no Acre.

Até hoje os transgênicos não trouxeram nenhum benefício para o consumidor. Não há nenhuma vantagem que o produtor possa ter eventualmente obtido com os transgênicos que não poderia ter sido alcançada com a adoção de outras técnicas de manejo. Assim, os transgênicos serão travados quando os consumidores de forma geral passarem a ter mais interesse em saber de onde vem sua comida e virem no consumo uma opção política também.

Na agricultura, especificamente a familiar, a reversão do quadro dependerá dos movimentos do campo (Via Campesina, Fetraf e Contag) colocarem o controle sobre as sementes como prioridade em suas agendas estratégicas e como um caminho para um modelo agrícola que liberte o agricultor de fazer o que faz o agronegócio, só que em menor escala.

Como vê a participação da sociedade civil em relação aos transgênicos? Por que não há uma mobilização massiva contra esses produtos?
Fernandes – Muitas entidades e movimentos sociais estão atravessando um momento difícil, de indefinições políticas e financeiras. Isso torna necessária a priorização de agendas ou, em muitos casos, o enxugamento de quadros. A questão dos transgênicos já foi um tema mais mobilizador e que ajudou a puxar o debate sobre o modelo dominante de agricultura. Agora os agrotóxicos estão novamente cumprindo esse papel. Mas trata-se, na verdade, de dois lados da mesma moeda, e a tendência é que a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e pela Vida comece a pautar mais a questão dos transgênicos.

Como ficou a diversidade das sementes depois da introdução dos transgênicos?
Fernandes – Os produtores que conservam suas sementes próprias estão tendo que assumir o ônus de evitar a contaminação. Isso quer dizer que estão tendo que plantar barreiras em suas propriedades, mudar épocas de plantio ou a localização de suas lavouras. Há casos em que as organizações locais estão comprando kits diagnósticos para averiguar se não houve contaminação das sementes que serão repassadas a outros agricultores ou levadas a feiras de sementes e biodiversidade.

A preservação desses recursos genéticos nas mãos dos agricultores será decisiva para a produção de alimentos em tempos de mudança climática e esgotamento dos recursos naturais. O papel estratégico dessas sementes já é reconhecido há décadas, por exemplo, pelos agricultores do semiárido, que desenvolveram os bancos comunitários de sementes, e agora é também defendido pelo relator especial da ONU para o direito humano à alimentação.

No âmbito do programa Fome Zero, o governo tem iniciado ações que permitem a compra e distribuição de sementes crioulas entre os agricultores familiares. É um reconhecimento importante, que permitirá que o agricultor enfrente os transgênicos cultivando suas próprias sementes.

Quais são os limites da fiscalização de produtos geneticamente modificados?
Fernandes – Para fins de rotulagem dos alimentos, o Ministério da Agricultura deve fiscalizar as plantações; a Anvisa, a indústria de alimentos; e a Justiça, por meio dos Procons, o mercado varejista. Se houvesse cooperação e troca de informação entre esses órgãos, o controle seria mais eficaz e o consumidor poderia estar mais bem informado. Mas infelizmente não é isso o que acontece.

Além de ser bem mais caro, o teste em produtos amostrados nos mercados não é totalmente satisfatório, pois em muitos alimentos o processamento torna impossível a detecção do ingrediente transgênico.

Fonte : Instituto Humanitas unisinos

Procuradores deram 90 dias de prazo para que o Banco Central analise todas as operações de crédito em favor da Norte Energia S/A

O Ministério Público Federal (MPF) requisitou ao Banco Central (Bacen) que faça operação de fiscalização no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para analisar todas as operações de crédito referentes à usina hidrelétrica de Belo Monte. O MPF deu 90 dias de prazo para que o Bacen conclua a fiscalização.

Conforme a requisição enviada no final de outubro, deverão ser analisadas “todas as operações de crédito já realizadas e as em análise pelo BNDES relativas aos empréstimos/financiamentos tendo como beneficiária a Norte Energia S/A para a construção do empreendimento e a respectiva verificação do cumprimento das normas do Conselho Monetário Nacional e do próprio Banco Central”.

A requisição é assinada pelos procuradores da República que atuam em Altamira, Bruno Alexandre Gütschow e Cláudio Terre do Amaral, e determina que o relatório de fiscalização do Bacen deverá conter análise sobre o nível de risco das operações de crédito de Belo Monte (são nove níveis), risco legal, de imagem, operacional e de mercado a que está submetido o BNDES por conta da operações.

O MPF também quer que seja identificado e caracterizado o funding, a origem dos recursos para Belo Monte, e se o BNDES está observando os limites de diversificação de risco na concessão dos créditos, notadamente no que diz respeito ao capital social e ao patrimônio de referência da instituição, assim como se está tratando adequadamente as contingências passivas relativas às ações civis públicas que tramitam contra o empreendimento.

Outra informação que deverá constar do relatório do Bacen é um comparativo entre a operação de Belo Monte e outras operações de crédito semelhantes, verificando se as taxas, prazos, spreads e riscos são compatíveis com outras praticadas pela instituição. Ao final, o Banco Central deve apresentar conclusão sobre a viabilidade econômico-financeira dos empréstimos do BNDES para Belo Monte.

Até agora, o BNDES já celebrou dois contratos com a Norte Energia tendo como objeto Belo Monte. No total, a empresa já obteve R$ 4,7 bilhões em financiamento, dinheiro do Fundo de Amparo ao Trabalhador e do Fundo de Participação Pis/Pasep, sendo que o repasse de uma parte desse valor está condicionado à aprovação do empréstimo total. O pedido global de crédito para Belo Monte deve ficar entre R$ 20 e R$ 35 bilhões.

Fonte : MPF (Ministério Público Federal )

A Juventude Verde do Ceará promoveu no último sábado o seminário “O Desafio de Inovar na Política”, em parceria com a Fundação Verde Herbert Daniel (FVHD) e o Instituto Verde Vida (IVV). O evento foi iniciado coma palestra da educadora ambiental Virgínia Carvalho, sobre como inovar nas políticas de preservação do meio ambiente.

Em seguida o deputado Augustinho Moreira traçou um panorama sobre a situação do meio ambiente no Ceará, fazendo uma explanação da luta do Partido Verde na defesa da natureza do Estado. O presidente do PV de Jijoca de Jericoacoara, Carlos Menezes, também se pronunciou, solicitando do deputado ações para frear a degradação do meio ambiente por que passa hoje a sua região, situada no Parque Nacional de Jericoacoara.

A segunda palestra do dia foi proferida pelo secretário da Juventude do PV Ceará, João Pedro Gurgel, sobre a responsabilidade da juventude com a política. João Pedro ilustrou o poder de mobilização que a juventude tem, e como com inovação e ação é possível mudar cenários na política cada vez mais desacredita do Brasil.

A reunião foi encerrada coma palavra do presidente do Conselho Curador da FVHD, Marcelo Silva, também presidente do PV Ceará. Marcelo afirmou que um dos principais focos do PV é engajar a juventude nas discussões políticas. Para ele, a juventude representa hoje a esperança e as maiores possibilidades de mudança na política.

O seminário foi o segundo do projeto “Desafios das Políticas Verdes nos Municípios Cearenses”, que terá ainda mais um seminário voltado para as mulheres, a ser marcado, e outro regional no Cariri, no dia 16 de dezembro na cidade do Crato.

Fonte : PV. CE

O Partido Verde de Belém decidirá até o dia 13.12 quem será o seu candidato a prefeito e qual o programa para Belém. Temos seis pré-candidatos e a vontade de transformar Belém na Ecopole da Amazônia, uma cidade verde, boa para viver e criar os filhos.

Até o dia 13.12 chegaremos por consenso aos dois nomes que rpresentarão nossa chapa e os apresentaremos em coletiva a imprensa na sede do PV e para os militantes, em plenária no Clube Monte Libano as dezenove horas.

Fonte : PV. PA

O delegado Fábio Sclair, chefe da Delegacia de Meio Ambiente e Patrimônio Histórico da Polícia Federal, disse que o vazamento de petróleo que ocorre no Campo de Frade na Bacia de Campos, a cerca de 183 km da costa do Rio de Janeiro, pode ser caracterizado como crime.

“Não há qualquer dúvida de que o crime ocorreu. O derramamento é oriundo da atividade de perfuração. O que me interessa agora é delimitar responsabilidades. É saber quem era o responsável. Alguns dos envolvidos estão embarcados, por isso precisamos esperar que eles sejam rendidos para que possam sair de lá.”

Para delegado da PF, vazamento deve ser maior do que o divulgado por empresa
Segundo Scliar, se a Chevron, empresa responsável pela perfuração que teria causado o vazamento, for de fato responsabilizada, ficará impossibilitada de celebrar contratos com órgãos públicos por até cinco anos. O delegado informou que o vazamento ainda não foi contido. Pelo menos seis diretores da empresa serão intimados a depor na semana que vem.

“Foi perfurado um poço naquela área, que está a mais de 1.200 metros de profundidade, por questões geológicas do solo, entre outras, e isso criou a 150 metros dali uma trinca no solo que representa uma fenda de mais de 300 metros de extensão, de onde continua vazando petróleo”, disse Sclair.

Nesta quinta-feira (17), por meio de nota, a Agência Nacional de Petróleo (ANP) informou que “o primeiro estágio de cimentação, para abandono definitivo do poço, foi concluído com sucesso” e que “imagens submarinas ‘aparentemente’ indicavam a existência de fluxo residual de vazamento”.

Já a Chevron disse, também por meio de nota, que jamais ocorrera qualquer fluxo pela cabeça do poço e que o monitoramento recente indicava que o óleo das linhas de exsudação (transpiração) próximas do fundo do oceano reduziram-se a um gotejamento ocasional.

Manifestantes do Greenpeace fizeram uma manifestação na manhã desta sexta-feira em frente ao escritório da empresa no Rio e cobraram mais transparência dos órgãos do governo e da Chevron sobre o acidente ocorrido, classificando as informações sobre o ocorrido de “contraditórias”.

A reportagem do UOL Notícias tentou, sem sucesso, entrar em contato com o escritório da Chevron no Rio.

Fonte : UOL

A executiva municipal do PV de Teresina reuniu-se dia 19.11.11, para discutir sobre as eleições de 2012. Participaram da reunião a presidente estadual do PV, vereadora Teresa Britto, o vereador Ananias Carvalho, o secretário de meio ambiente prof. Deocleciano Guedes, a presidente municipal Alice Andrade, o secretário de comunicação da executiva estadual prof. José Ribamar Rocha, o segundo presidente municipal prof. Hands Wellington, e vários membros e pré-candidatos. Na ocasião, foram apresentados os novos membros filiados ao partido.

A vereadora Teresa Britto iniciou anunciando que, dentre as 180 executivas municipais do PV no estado, 122 encontram-se regularizadas e que, atualmente, já ultrapassamos 34 pré-candidatos a prefeituras no interior e que temos um bom número de pré-candidatos a vereadores, demonstrando significativamente o crescimento do PV no Estado.

Para as eleições de 2012, o Partido Verde tem como meta crescer a bancada de vereadores. Sobre coligações com outros partidos, analisou que vivemos outra realidade, que o PV não pode ser mais considerado um partido pequeno.

Foi ressaltado um aspecto que diferencia o PV dos outros partidos, além de sua bandeira socioambiental, o partido se destaca pela diversidade religiosa, profissional, etária e cultural que representa através de seus membros, denotando riqueza cultural neste interrelacionamento e que isso traduz a diversidade de nosso país.

O partido realizará reuniões regulares para debater assuntos pertinentes ao projeto básico do PV. Discussões sobre comportamentos e atitudes condizentes com as propostas sociais e ambientais do partido.

A reunião foi finalizada com informações gerais sobre material de propaganda liberada e cronograma para 2012.

Fonte : PV. PI

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