Seminário na Câmara dos Deputados discutiu riscos ambientais, sociais e climáticos da instalação da UTE Brasília
O auditório Freitas Nobre, na Câmara dos Deputados, recebeu nesta quinta-feira (2) o seminário “Impactos da Termelétrica no DF: um debate urgente sobre mudanças climáticas”, promovido pela Fundação Verde Herbert Daniel e o Partido Verde do Distrito Federal. O evento reuniu especialistas, lideranças políticas e representantes da sociedade civil para discutir os riscos e propor alternativas à instalação da usina termelétrica UTE Brasília.
O objetivo do encontro foi traçar estratégias de enfrentamento ao projeto e reforçar o compromisso do Partido Verde com uma matriz energética mais limpa e justa. Durante o seminário, o PV anunciou que está disposto a acionar a Justiça, ao lado da sociedade civil, caso o processo de licenciamento avance.
“Temos orgulho de estar ao lado certo da história ambiental do Brasil. O Partido Verde está prestes a completar 40 anos de luta por um desenvolvimento justo e sustentável. Não vamos economizar esforços para barrar esse retrocesso no DF”, afirmou a jornalista Rayssa Tomaz, dirigente do PV e mediadora do debate.
Riscos e alternativas
O seminário contou com a presença de nomes como o presidente nacional do PV, Eduardo Brandão; o deputado federal Prof. Reginaldo Veras; o assessor político do Inesc, Cássio Carvalho; e o coordenador da Ampara, Filipe Reis, entre outras lideranças e especialistas.
Entre os temas abordados, destacaram-se os impactos ambientais, como o aumento na emissão de gases do efeito estufa, o alto consumo de água, os prejuízos à saúde pública e os riscos à biodiversidade do Cerrado.
Logo na abertura, Eduardo Brandão, que também é ex-secretário de Meio Ambiente do DF, criticou o projeto:
“Estão usando o discurso de desenvolvimento com o gasoduto como cortina de fumaça para justificar uma usina que não atende aos interesses da população. Esse projeto beneficia apenas interesses privados.”
O deputado Reginaldo Veras, que é morador da região afetada, chamou atenção para os impactos sociais diretos, como a possível remoção da Escola Classe Guariroba, o que prejudicaria cerca de 350 alunos.
“Essa usina vai trazer consequências sérias para o rio Melchior, para os moradores de Samambaia, Riacho Fundo, e até Santo Antônio do Descoberto. Não podemos aceitar que a poluição seja empurrada justamente para as regiões mais pobres do DF. Se fosse no Plano Piloto, essa proposta não passaria nem perto”, criticou.
Alerta climático e biodiversidade
Representando a Ampara Animal, Filipe Reis trouxe uma análise dos efeitos da termelétrica sobre o clima e a biodiversidade.
“Estamos falando de uma usina que pode lançar mais de 5 milhões de toneladas de CO₂ por ano no ar, além de comprometer o equilíbrio ecológico do Cerrado com aquecimento da água, poluição sonora e luminosa. Um péssimo exemplo, justo no ano da COP30, que será realizada no Brasil.”
Fechando o evento, Cássio Carvalho, do Inesc, apresentou os principais caminhos jurídicos e legislativos para barrar o projeto. Ele explicou como a instalação da termelétrica foi viabilizada por meio de “jabutis” inseridos na Lei da privatização da Eletrobras. Destacou ainda que a MP 1304, do governo federal, pode ser uma oportunidade para revisar subsídios indevidos que oneram a conta de luz da população.
Carvalho também alertou para os riscos embutidos nos vetos ao PL da Energia Eólica Offshore, que podem abrir espaço para prorrogações de contratos de usinas a gás até 2050, mesmo em locais sem infraestrutura de gasoduto, e com custos repassados aos consumidores.





